Hoje é só mais um dia que me sinto mal comigo mesmo
Mas hoje isso está me incomodando mais do que ontem
E amanhã tenho certeza que vai estar muito pior
Supostamente vai continuar assim, até consumir toda minha fé e sanidade
Mamãe o quê está havendo comigo?
Enxergo tudo enferrujado, feio e corrompido ao meu redor
Onde lanço meu olhar, a visão se torna turva, e me sinto confuso
Parece que vivo numa paranoia, o mundo conspira contra mim
Muitos rostos, pessoas, palavras e expressões por toda parte
Mas todas vazias, bizarras e sem sentimento
Mamãe, por que você não me entende?
Não sou eu o diferente, são eles que são sempre iguais
Tudo está tão confuso, e ao mesmo tempo tão claro
E mesmo com medo, as pernas bambas e a visão turva
É a primeira vez que me sinto livre de algo invisível que me prendia
Nunca imaginei que iria doer, o despertar para a realidade
A ignorância ás vezes pode ser uma bênção, pois nela se tem
Uma venda nos olhos, que se impede de vazar o sangue amargo da realidade
Olhos esses inocentes e cheios de temor e esperança, que sangram
Ao ver a vida nua e crua, como ela realmente se apresenta sem te alienar
Sou eu o louco, ou são eles? Que preferem viver uma farsa programada
Ao invés de lutarem contra a opressão física e psicológica da vida?
Estou confuso e com medo agora, mas espontaneamente mais leve
Pois sei que não estou mentindo pra mim mesmo
Mamãe agora me entenda, o despertar me chamou e eu estou livre
Livre de viver no círculo da alienação de ilusão dos homens
Livre também de sofrer por causas vazias e superficiais
Mamãe eu despertei, e por mais que me incomode agora
Vou aprender a lidar e utilizar com clareza meu novo dom
Pois agora, eu enxergo a vida com os olhos da verdade...
Mário Kazama.