sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Um grito de silêncio




Em um lugar do passado, numa noite qualquer, fria e com ventos chuvosos, lá estava eu e ela.
Tão linda como nunca, eu só queria dizer o quanto eu a amava mais uma vez...
Quatro sombras se aproximavam, e quando eu percebi já estava no chão quase desfalecido, não enxergo quase nada, minha boca tem gosto de sangue e pólvora, se eu fechar os olhos posso não mais acordar, mas
eu fechei...
Acordo numa carruagem, nem sei quanto tempo se passou, á minha frente, sinto a presença da própria morte, tocando um som fúnebre em sua harpa, harpa esta que as cordas são feitas com os nervos de seu próprio braço.
Apaguei novamente, e antes de acordar e sair do meu sepulcro, novamente não me recordo de quanto tempo isso tudo levou a acontecer.
Hoje me encontro num lugar, onde um dia foi meu lar, fotos e móveis queimados só ajudam o ambiente a ficar mais mórbido e doloroso.
Me olho no espelho, e a tinta preta que dissolve com o cair das minhas lágrimas, transbordam dos meus olhos escuros como a noite, que espelham agonia e tristeza.
As marcas no meu corpo só não são piores que as marcas deixadas na minha alma.
Saia de perto de mim Gabriel você é engraçado e alegre demais para mim, não posso, não devo e não quero sorrir, sorriso por vez marcado pela insanidade dos pecadores, mas hoje não, hoje vai ser diferente!
Hoje vou lavar os becos com o medo daqueles que nunca viram a luz, sangue levado pela água da chuva, um mal necessário para se pregar a justiça.
Hoje sou tudo e não sou nada, estou aqui e não estou, sou a vida e a morte, as trevas e a luz, eu sou.....
.....A dor.

Texto baseado a obra O Corvo, de James O' Barr.

Se você quer se informar mais sobre essa obra visite:
http://www.conexaoretro.blogspot.com.br/2011/09/quadrinhos-o-corvo.html

Mário Kazama.

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