terça-feira, 12 de março de 2013

Desapego




Como o destino é inesperado
Tudo tão estranhamente se cria e se desfaz como num piscar de olhos
Sentimentos, cores, sensações, prazeres, medos e a própria fé
Foi como uma chuva de agulhas penetrando meu ser
Incessante e instantaneamente, passando pela minha alma
Pensei até que não ia suportar continuar com esse desagrado preso em mim
Me faltava o ar, perdi totalmente a vontade de viver em meu corpo
Ou pelo menos eu anteriormente pensava que seria assim
Uma nuvem poluída e talvez um aperto de lamento no peito
Como um gosto amargo na boca, que insiste em encomodar,
Uma ferida aberta no peito, que sangra sempre que se pensa demais no passado
Foi tudo ou só isso me restou
É como se destacasse uma página rabiscada de um caderno
Jogando quase que uma vida fora, experiências boas e ruins
E começando novamente, um rascunho de algo novo, numa folha branca
Difícil, mas necessário,não olhar pra trás
E mesmo acordando com um rumo novo na vida
Nossa consciência insiste em nos reprimir
Nos fazendo lembrar de algo que não mais deve ser lembrado
Esquecido e adormecido na frustração, mas não é tão fácil como parece
Mas o dia está chegando, cada vez mais próximo
O dia em que vou acordar, olhar pra frente e me sentir totalmente livre
E quando eu me sentir assim, um respiro puro de alívio e desapego
Vai me conduzir ao rumo novo na vida, rumo esse menos distante da felicidade...


(Mário Kazama)