terça-feira, 11 de setembro de 2012
Metáforas ilusórias
Nas ruas frias de uma grande metrópole, um mendigo caminha entre os becos e senta no chão de frente á uma multidão de pessoas que por lá passavam.
Ficava dias sentado ao chão pedindo esmola para os que passavam por ele e sem nenhum exito, por muito tempo foi assim, o pobre mendigo era rejeitado por todos ao seu redor, que nem sequer olhavam pra ele.
Até que um dia ele encontrou uma matilha de cães, todos eles correram quando o viram, mas um deles decidiu ficar lá, parado e esperando a reação do mendigo. O cão estava mal tratado, com medo e com fome, mas era muito dócil e carente, o mendigo então decidiu acolhe-lo como seu companheiro.
Novamente, o mendigo volta ás ruas pedindo esmolas, mas nunca consegue exito com isso, mas ele percebe que as pessoas que passam por ele, colocam moedas numa lata enferrujada que acidentalmente está muito próxima ao cão.
Percebendo tal feito, o mendigo então deixava as pessoas se sensibilizarem vendo o cão imundo e dócil passar fome nas ruas, com uma lata do lado e uma placa pedindo todo q qualquer tipo de doação, e assim as pessoas despejavam moedas e muitas vezes notas, com pena do animal a fim de vê-lo matar sua fome.
Mas o mendigo só pensava em si próprio, com o dinheiro das esmolas comprava alimentos e consumia sozinho, o cão que era o causador das doações, sempre recebia farelos e um carinho frio no focinho junto com palavras como: - "Calma campeão, na próxima você também vai comer!"
E o cão então não saia de perto do seu amigo mendigo, com esperança de que um dia iria se alimentar também, e quem sabe receber um pouco de afeto.
Mas por muito tempo isso se repetiu, o mendigo se aproveitava das doações feitas pelo cão para se alimentar, e deixava o pobre bichinho sempre com frio e com fome, sem nenhuma demonstração de afeto.
Um dia, o cão decidiu partir sem rumo, ele iria deixar seu companheiro mendigo, que a tanto tempo prometera o alimentar, mas nunca cumpriu com o prometido.
O mendigo não entendeu, pois se seguissem sozinhos, ambos iriam passar fome e frio, e mesmo com frio, medo e fome, o cão então seguiu seu rumo sozinho, pois preferia viver nessas condições, ao invés de viver eternamente numa eterna e dolorosa ilusão.
Mário Kazama
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