quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Patologia Bipolar



Psicose bipolar que não dá pra evitar. Dor no coração causada pela indecisão: - Olhem os cachorros! - Não, é não!
Seus olhos me intimam, suas palavras me arrepiam... - Escutem os pássaros! - Sim, é sim! Nunca é tarde para ser alguém, mas sempre é cedo para desistir. - PULEM! - PULEM! O inseto quer passar!
Ser patológico, sou doente, sou louco, sou velho e psicopata. Nada me destrói: nada me mata! Sou apenas um anjo...
- Parem! - Parem! - A briga cessou, o dia findou e você só me encantou...


Purê, Lucas.

Febre compulsiva



Eu fugi, fugi da minha vida, das pessoas ao meu redor, do lugar onde eu cresci.
Fugi também das mágoas, do medo e da falta de humanidade os outros
Mas algumas delas decidiram me seguir, como um pesadelo de olhos abertos
Já não me ponho no lugar sem ter que lembrar de algo que já vivi
Muitas vezes coisas que me perpetuaram de forma insana e pavorosa
Não consigo me livrar da sensação de tocar em sua pele
E de sentir, o cheio mortal e tentador dos seus cabelos
Meu sangue pulsa, e só de perceber que após dormir a decadência do passado se envolve sobre mim
Os pesadelos doentios agora me senguem até quando estou acordado
Como não ouvir uma certa canção, e não lembrar de você?
Maldito coração, que insiste em manter sua alma viva dentro do meu ser
As vezes olho pra você, as vezes até falo, mas preferia não olhar, e nem lembrar de ti
Tudo á seu respeito me magoa, como uma febre compulsiva, não consigo me livrar
Da sensação do seu corpo quente junto ao meu, mesmo isso me machucando e sangrando
Como uma farpa inserida nas minhas veias, já não sei onde começa e termina meus limites
Se estou vivo ou prestes a morrer, respirando, ou se estou sentindo frio
Nada disso me importa mais, a angústia e o medo já me consumiram loucamente
Eu só peço, se alguém estiver ouvindo meus sussurros de lamentação
Que me tire desse cativeiro, de incertezas e ilusões, onde tudo me envenena
E meus pensamentos não mais posso controlar, já estou prestes a desistir
Só não sei se desistindo, onde vou parar...


Mário Kazama

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Sequela emocional




Mais uma vez me sinto em dívida comigo mesmo, em dívida com as pessoas e com a vida em si, talvez eu esteja errado, talvez eu sempre estive errado, errado até em pensar em estar errado.
O chão frio, janelas abertas e os vizinhas lá fora insistem em poluir o ar com seus gostos estúpidos por melodias pervertidas, não importa em que planeta estou, tem coisas que nunca mudam.
Levando de manhã, já não aguento meu próprio corpo novamente, passo diante do espelho sem olhar, prefiro não olhar pra ele, não o olho por dias, prefiro assim, prefiro não olhar mais....
Deitado sem pretensão de me mexer, um turbilhão de pensamentos faz explodir uma overdose silenciosa de insatisfações dentro da minha cabeça, e igual a uma musica do Morrissey, permaneço remoendo milhares de vezes em pensamentos difusos, tudo que já se foi, e tudo que ainda não vai ser.
Já de pé em frente a rua, tento não desfalecer diante da paisagem deprimente que tenho como vista, sempre que insisto em me jogar no mundo, enquanto tento por a cabeça no lugar o sol insiste em vaporizar cada partícula dos meus poros, ás vezes eu só quero um cigarro e um café amargo, pra me fazer companhia enquanto decifro meus fracassos, ás vezes só quero deitar e dormir até que eu me sinta em paz comigo mesmo, ás vezes nada faz sentido, pois nada mais importa.
Mas ás vezes, decepcionado com o destino...

...ás vezes eu não quero mais nada...

Mário Kazama

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Fascínio anônimo



E lá estava eu, com os olhos mórbidos tentando focar o olhar
Em algo que mantivesse minha mente distraída
Pessoas, passos, barulhos irritantes, gestos, calor...
Olho pros lados, o desconforto e as sacudidas do veículo só me deixa mais inquieto
E tudo que eu tento fazer é manter meus cabelos em ordem...
Meio sufocado e meio desengonçado, meus óculos escuros são meu escudo
Para disfarçar minha expressão de insatisfação e frustração
Mas ao olhar de relance pros lados, em um deles vi aquela figura
Sentada, muda, mexendo nos cabelos, enquanto sussurrava bem baixinho
Uma canção que ouvia com seus fones coloridos, esperados em seu celular
No momento, pensei que ela ali, nem notou minha presença
Mas quando olhei de novo, lá estava ela, cedendo seu lugar, e sentando no acento das janelas
E sem dizer uma palavra, quimicamente me convidando pra sentar me ao seu lado
Sentei, com vergonha e um pouco de medo, nem sabia me mexer
Pois seus olhos claros e os cabelos loiros me ofuscavam
Olhava pra janela, sussurrando as canções que ouvia, e quando dava, em frações de segundos
Desviava os olhos pra mim, meus cabelos longos e meus óculos escuros ofuscavam ela também
Nenhuma palavra foi dita, mas ela sentiu o que eu senti também
Nenhuma expressão forte foi feita, mas ao fundo do acontecido, se percebe o sentimento
Talvez ela só esperava uma palavra minha, um gesto á mais do que um simples cruzar de braços
Mas eu estava preocupado e com medo demais pra dizer um simples oi pra aquela bela garota
Uma aparição, talvez a única boa chance que tive de conhecer a felicidade
Mas eu a deixei ir, eu desperdicei, por ser tolo e inseguro demais.
E prestes a ir embora, ela se levantou, e mesmo não sabendo onde estava meus olhos
Pois eu os cobria com com óculos, ela sorriu, um lindo sorriso
Se levantou, e saltou para a calçada, para a rua, e para seu destino
Talvez eu nunca mais a veja, talvez eu devia ter sido mais corajoso e audacioso
Quem sabe um dia....
Quem sabe numa outra vez....
Mas até lá, vou ficar a pensar, no anjo que sorriu pra mim, e eu o deixei ir...


Mário Kazama