Por trás das árvores há a cidade. Os prédios modernos, iluminados, brancos, cinzas, beges, pretos, espelhados e enormes. Mas deste lado, antes das árvores, tem eu. Nós, muitos, diferentes, mestiços, negros, amarelos, vermelhos, brancos, altos, baixos, iluminados, apagados e alguns que podemos nos espelhar.
Eu, que sou nojento enjoado, pouco legal muito chato e estou aqui com vocês, do lado do mato. Não percebe? Estamos sobre as águas. Um rio belo, pequeno e pouco povoado. Nele, as árvores refletem e nele podemos nos espelhar.
Olhou a seus lados? Tem flores, plantas, terras e gramas. Humanos com nós nas gargantas e cordas nas mãos. Cordas para dar nós!
Mas se olharmos para trás, veremos o cenário se repetir. Água, natureza, céu e os prédios grandões. Grandes arranha-céu, ou algo assim. Nós estamos no meio, Aqui é o lugar central. Que tem gotas em ondas, mar em praia pronta e árvores nos asfaltos econômicos comprados com dinheiro de árvores.
Hipocrisia ou lealdade? Matéria prima adulterada e adulteras apedrejadas. Cristos crucificados, deuses alterados, portas entreabertas... Lágrimas a beça.
Mas, o ponto central é valorizado. Os humanos são cobiçados e o poder a nós está.
Nós, nojentos enjoados e muito chatos. CHATOS MESMO! Que por estarmos no ponto central e com os maiores poderes, podemos dizer os direitos e deveres de cada cidação escravizado. Escravo de nós. Nós mesmos, que somos brancos e somos pretos. Vermelhos, mestiços, descendentes e chatos.
Então hoje, eu saio do ponto central e deixo à vocês "aqui", a opção de comigo partir. Eu, que como você sou legal e procuro um outro final!
Reticências ...
Lucas.Pure