quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Febre compulsiva



Eu fugi, fugi da minha vida, das pessoas ao meu redor, do lugar onde eu cresci.
Fugi também das mágoas, do medo e da falta de humanidade os outros
Mas algumas delas decidiram me seguir, como um pesadelo de olhos abertos
Já não me ponho no lugar sem ter que lembrar de algo que já vivi
Muitas vezes coisas que me perpetuaram de forma insana e pavorosa
Não consigo me livrar da sensação de tocar em sua pele
E de sentir, o cheio mortal e tentador dos seus cabelos
Meu sangue pulsa, e só de perceber que após dormir a decadência do passado se envolve sobre mim
Os pesadelos doentios agora me senguem até quando estou acordado
Como não ouvir uma certa canção, e não lembrar de você?
Maldito coração, que insiste em manter sua alma viva dentro do meu ser
As vezes olho pra você, as vezes até falo, mas preferia não olhar, e nem lembrar de ti
Tudo á seu respeito me magoa, como uma febre compulsiva, não consigo me livrar
Da sensação do seu corpo quente junto ao meu, mesmo isso me machucando e sangrando
Como uma farpa inserida nas minhas veias, já não sei onde começa e termina meus limites
Se estou vivo ou prestes a morrer, respirando, ou se estou sentindo frio
Nada disso me importa mais, a angústia e o medo já me consumiram loucamente
Eu só peço, se alguém estiver ouvindo meus sussurros de lamentação
Que me tire desse cativeiro, de incertezas e ilusões, onde tudo me envenena
E meus pensamentos não mais posso controlar, já estou prestes a desistir
Só não sei se desistindo, onde vou parar...


Mário Kazama

Um comentário:

  1. Não desista! Nunca! Acredito no seu potencial, você já constribui e muito com suas publicações e pode ainda mais como ser humano e também profissionalmente. Abraços

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