sexta-feira, 24 de outubro de 2014
A ULTIMA CARTA DE UM COVARDE
Tudo que eu não queria era estar fazendo esses versos
Citando tais palavras e vertentes
Eu gostaria de estar falando de o quanto a vida é bela
E o quanto o amor e o destino são dígnos comigo
Mas saiba que não foi por falta de tentar
E ter criatividade de driblar as catástrofes da vida
E mesmo assim, bebendo do horizonte dos meus próprios sonhos
Sempre saí sangrando das grandes guerras que travei e perdi
Lutando como um lobo solitário, apavorado e acanhado
Mas valente a ponto de crer que o destino poderia ser dobrado ao meu favor
E o quão tolo eu fui não é mesmo?
Marcado com ferro em brasa, na mente e na alma
Com um rótulo cruel de desmerecedor da felicidade
Rasgado ao meio, por dentro e por fora e jogado no abismo
Com uma bandeira cravada em meu ser, bandeira essa de um sonhador marginalizado
Meus feitos nada foram do que meras faíscas no meio de uma tempestade de gelo
Levando a culpa dos pecados de uma geração inteira
Violaram minha alma, minha mente, eu corpo e coração
Hoje não sou nem metade da pessoa que um dia eu fui
Convivendo com restos mastigados do que sobrou de mim
Eu só queria pregar o bem e o amor no coração daqueles que me são importantes
Mas falhei, falhei miseravelmente comigo mesmo e com os poucos que confiaram em mim
Hoje sinto pena e desprezo por mim mesmo
E não consigo entender as regras do destino e da vida
Eu só queria ser feliz, não consegui
Não consigo desde sempre, desde quando me lembro
Talvez essa tal felicidade não saiba o meu endereço
Ou Deus se arrependeu de ter criado tal criatura como eu, e está me punindo
Me fazendo aspirar as cinzas dos meus pecados e fracassos
Destino, porque sempre foi tão cruel comigo?
Vida, porque nunca me deixou seguir meu próprio caminho?
E ter meus méritos e sonhos conquistados?
Nunca fui uma má pessoa, á ponto de ter o ódio dos deuses e de mim mesmo
Mas também não devo ser bom o suficiente para ter o direito de ser feliz
E ter as mãos estendidas por Deus, recebendo sua misericórdia e benção
Perdão á todos em que decepcionei
Nunca foi minha intenção ser um delinquente nem um vilão sem alma
E o que me fez de pé até agora foi a vontade e a esperança
De ter minha vida finalmente dedicada em desfrutar da felicidade
Mas falhei, pois não me deixaram viver e cultivar meus sonhos
Hoje o que sobrou de mim se alimenta de decepções e medo
Pois só com isso o destino me presenteou
Cicatrizes na minha alma, feridas internas no meu ser
Meu corpo e meu coração não suportam mais ter ódio de mim mesmo
E quando vejo de pé todos aqueles que são meus carrascos
Rindo da dor que com prazer me fazem sentir
E Deus, como todos insistem em crer como o divino superior da vida
Aparenta assistir minha queda sem dar muita atenção
É como dizem, temos que perceber e aceitar
Que Deus não se importa mais com nada, e nada vai fazer sobre o destino melhorar
Crer também que ele não te ama, nem está preocupado com seus sentimentos
Pois é, agora eu creio e aceito isso, mesmo indignado, mas aceito
A vida nunca foi justa, pelo menos pra mim, justiça e felicidade não meras lendas
E tem aquela velha frase que alguém criou bem diz:
Morra como um herói, ou viva o bastante pra se tornar um vilão
Já me tornei um vilão nos olhos e mentes de muitos que me avistavam como herói
Agora posso desistir de mim mesmo, com pena, mágoa e ódio
De Deus, das pessoas, do destino, do mundo e de mim mesmo
Só nunca vai se apagar o amor que um dia alguém conseguiu plantar e restaurar em mim
Amor esse que sinto também por ela, e por poucas pessoas ao meu redor
Isso eu levarei comigo, pois só o que me resta são os meus sentimentos
Sentimentos esses desprezados pela vida e pelo destino
É assim que se começa o fim
É assim que o fim se acaba.
Eu tentei dar o meu melhor, mas falhei
Perdoem-me.
Mário Kazama
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